Sexta-feira, 13. Para supersticiosos, hora de recolhimento e esperar a chegada do dia 14. Como estamos em Junho e o dia é consagrado a Santo Antônio, solteiras, descasadas, viúvas e até as bem casadas (para agradecer), dedicam preces e orações ao "casamenteiro", enquanto disputam o famoso pãozinho. Dia também do início "oficial" das Juninas, com barracas, bandeirinhas, guloseimas, quadrilhas, forrós e foguetórios. Festanças principalmente no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Brasília costuma ter muitas dessas festas. Algumas mais puxadas para o olhar caipira, outras para o forró, mas todas com muitas guloseimas para desespero de muitos fãns das academias.
Minha primeira festa junina foi traumática. Lembro como se fosse hoje. Mãe, fez uma roupa bacana. Colorida, cheia de remendos xadrez na calça comprida, uma camisa no estilo, lenço vermelho no pescoço e um chapéu de palha com bordas gastas. Secretamente, tinha me preparado para ser o padre no casamento preparado pela escola. Ia ser surpresa para a família. Participei dos ensaios e a escola forneceu a "batina" com um remendinho bem discreto na lateral.
Na hora da apresentação, o primeiro trauma. A menina que ia ser a noiva esqueceu o texto. Ficou muda. Começou a chorar e eu não consegui entender o porquê de tanta comoção. O que era para ser uma apresentação "séria" tornou-se um fiasco. Como "padre", decidi que não ia ter mais casamento e dei por encerrada a cerimônia. A professora interrompeu e disse:
- Já que o casamento não sai, vamos pra festa... Quem sabe a noiva se anima.
Como ainda me lembro do sentimento de frustração, imagino que devo ter pensado algo parecido com um "pois vão esperando... não visto mais essa roupa de padre de jeito nenhum".
A hora da quadrilha foi beleza. Tudo muito divertido. Nota 10. Fizemos todos os passos marcados nos ensaios. Minha mãe sorria de orgulho e eu também porque tinha dado tudo certo.
O segundo trauma, não foi bem isso. Tinha a tal da pescaria. Via que todos os colegas que pescavam retiravam brinquedos do mar de serragem que cobria as prendas. Na minha vez, pesquei justamente o brinde mais estranho. Um quepe de marinheiro de tamanho adulto. A impressão era de que o doador devia ter um cabeção danado, pois fiquei com a impressão de que no quepe cabiam duas cabeças iguais a minha.
Como cantou Caetano: Tempo, tempo, tempo, teempo....

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