sexta-feira, 27 de junho de 2008

Horizonte perdido

Quando Cabral chegou por estas terras, estima-se que a população nativa estava entre 5 e 6 milhões de aborígines ou índios, que é o termo consagrado aos indivíduos pertencentes a qualquer um dos povos das Américas.

Segundo a FUNAI, conforme declara em seu portal, hoje no Brasil vivem cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas, que perfazem aproximadamente 0,25% da população brasileira. Em abril de 1999, a estimativa ficava em torno de 325,6 mil.

Tenho o hábito de usar os serviços de um engraxate que tem cadeira no Setor Bancário Sul. Da cadeira, vejo de frente um dos edifícios sede do Banco do Brasil. Bem a meu lado direito há um comerciante de relógios populares e uma barraca de frutas, além do movimento constante de pessoas que entram na Galeria dos Estados que une o Setor Bancário com o Setor Comercial Sul.

A notícia da primeira página do jornal de hoje é sobre o brutal assassinato de uma índia adolescente. Enquanto engraxava o sapato, a conversa das pessoas próximas especulava sobre a autoria do assassinato. Teria sido o homem branco? Alguém especulava que poderia ter sido algum outro índio, já que algumas tribos teriam o costume de matar os seus adoentados sem chance de recuperação e improdutivos por uma questão de sobrevivência.

Os requintes de crueldade encontrados no corpo da vítima contradizem a segunda tese. Uma execução “piedosa” seria rápida, quase indolor. Há um ritual a ser seguido, que confere um aspecto de dignidade ao ato, segundo a crença indígena.

Brasília foi palco de um outro assassinato de índio. Anos atrás filhos da classe dominante atearam fogo no índio pensando que este era na verdade um mendigo bêbado.

Em pouco mais de 500 anos, milhões desapareceram enquanto os “brancos” se multiplicaram, ocupando terras e alterando a “ordem natural das coisas”.

Nos continentes do planeta, as histórias de conquistas também ficaram marcadas pelas ações genocidas de conquistadores. A herança cultural de muitos povos foi perdida ao longo dos séculos.

Acredito na evolução. Acredito que o processo evolutivo, inclui o desaparecimento de forma natural daqueles que não conseguem se adaptar às novas condições que vão se apresentando.

O ser humano já foi um bicho selvagem. Foram precisos alguns milênios para ele se tornar menos selvagem.

Quando vejo notícias como a de hoje fico abatido, pois constato que ainda falta muito para voltarmos ao paraíso.

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