quarta-feira, 4 de junho de 2008

Nem tudo que reluz...


Nos noticiários da Internet de hoje, abriu-se espaço para a história da prisão de dois soldados do exército, um deles com o posto de sargento. A prisão ocorreu enquanto participavam de um programa de TV, enquanto concediam entrevista que versava sobre a questão do relacionamento homossexual existente entre ambos, nas fileiras do exército, há 10 anos.


Há algo de espetaculoso no fato. Uma semana após a Parada Gay de SP, onde estimou-se a participação de mais de 3 milhões de pessoas, uma revista semanal de grande circulação coloca a história de ambos como assunto de capa. Na matéria, menciona-se o fato de que um deles corria o risco de prisão por conta de ausências seguidas no quartel onde estavam destacados, a princípio por problemas de saúde. Seria na verdade um ato regimental já que ausências injustificadas são consideradas deserção do serviço, onde está prevista prisão e possível desligamento.

Tenta-se criar um maremoto em um copo d'água. Se por um lado pode-se acusar o exército de perseguir homossexuais em suas fileiras, da mesma forma é factível pensar que esta situação pode ter chegado a este extremo como parte de um plano para que se consiga os tais 15 minutos de fama, como fizeram com Ronaldo (o jogador de futebol), caso contrário, como explicar que apenas após 10 anos de relacionamento, o Exército tenha percebido o relacionamento e tenha resolvido agir?

A "confraternização" entre homens de armas tem antecedentes históricos famosos, inclusive entre antigos samurais. O que na atualidade, por pura sublimação, transformou-se em solidariedade e companheirismo de armas estimulado nos treinamentos de combate, não deixa de ser um tipo de relacionamento, ainda que inicialmente platônico. Por outro lado, quando a questão assume ares de desafio a uma ordem espartana de discrição, onde uma instituição é instada a justificar se tal fato comprometeria o "moral" da tropa, a coisa muda de figura. Seria, assim, uma questão de postura. É como se um diretor vivesse em confraternização com o pessoal da limpeza ao invés de cuidar da própria empresa que cuida do sustento de todos os empregados e familiares (e não apenas dos faxineiros).

Acho que as posturas, composturas e descomposturas tem de ser discutidas. O que não pode é a questão homossexual ser usada como boi de piranha enquanto o resto permanece na obscuridade.

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