segunda-feira, 30 de junho de 2008

Lei Seca

A polêmica em torno da chamada Lei Seca tem sido o assunto dos últimos dias. Dirigir alcoolizado sempre foi agravante em casos de acidentes e acho que deve continuar sendo. No resto do mundo temos exemplos de leis que penalizam o motorista alcoolizado quando pego em flagrante. Um motorista neste estado é, de fato, uma bomba ambulante. O que a lei propõe é que uma pessoa normal, indo a um bar, confraternização com amigos, uma festa de casamento ou qualquer outra atividade social, se abstenha de consumir bebida alcoólica uma vez que está como motorista.

Problema mais sério que isto, no entanto é o consumo de álcool. O álcool como substância química, tem ação que ao longo do tempo, uma vez consumido com regularidade, cria um estado de dependência. O alcoolismo é doença. Está classificado no Código Internacional de Doenças no grupo de Transtornos Mentais e Comportamentais devidos ao Uso de Substância Psicoativa. Há uma variedade de níveis de comprometimento do organismo frente o consumo de álcool.

Ser responsável significa possuir capacidade de responder pelos próprios atos ou, em última instância, pelos atos dos outros. Enfim, um cidadão comum deve ser capaz de decidir sobre seus atos. Nos casos de dependência, invariavelmente há uma priorização ao uso do álcool em detrimento de outras atividades e obrigações. Por outro lado, dependendo da quantidade consumida, tem-se também a ação relacionada a capacidade de “liberar”, de conferir tranqüilidade, de quebrar estados de ansiedade e estresse muito comuns nos casos de “aborrecimentos” no trabalho ou em “primeiros encontros” com possíveis candidatos (as) a namoro.

Ao proibir o motorista de dirigir quando consome mais de 3 bombons licorosos, o Estado tira dele a capacidade de decidir sobre si. Este tipo de intervenção, a princípio, seria possível apenas em casos de emergência nacional, catástrofes ou guerras. Por mais que o álcool seja capaz de produzir acidentes sérios nas estradas, a lei não resolve a calamidade pública maior que é o consumo indiscriminado, alardeado em propagandas de cervejas e destilarias.

Uma lei não resolve o estado de torpor de uma nação.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Horizonte perdido

Quando Cabral chegou por estas terras, estima-se que a população nativa estava entre 5 e 6 milhões de aborígines ou índios, que é o termo consagrado aos indivíduos pertencentes a qualquer um dos povos das Américas.

Segundo a FUNAI, conforme declara em seu portal, hoje no Brasil vivem cerca de 460 mil índios, distribuídos entre 225 sociedades indígenas, que perfazem aproximadamente 0,25% da população brasileira. Em abril de 1999, a estimativa ficava em torno de 325,6 mil.

Tenho o hábito de usar os serviços de um engraxate que tem cadeira no Setor Bancário Sul. Da cadeira, vejo de frente um dos edifícios sede do Banco do Brasil. Bem a meu lado direito há um comerciante de relógios populares e uma barraca de frutas, além do movimento constante de pessoas que entram na Galeria dos Estados que une o Setor Bancário com o Setor Comercial Sul.

A notícia da primeira página do jornal de hoje é sobre o brutal assassinato de uma índia adolescente. Enquanto engraxava o sapato, a conversa das pessoas próximas especulava sobre a autoria do assassinato. Teria sido o homem branco? Alguém especulava que poderia ter sido algum outro índio, já que algumas tribos teriam o costume de matar os seus adoentados sem chance de recuperação e improdutivos por uma questão de sobrevivência.

Os requintes de crueldade encontrados no corpo da vítima contradizem a segunda tese. Uma execução “piedosa” seria rápida, quase indolor. Há um ritual a ser seguido, que confere um aspecto de dignidade ao ato, segundo a crença indígena.

Brasília foi palco de um outro assassinato de índio. Anos atrás filhos da classe dominante atearam fogo no índio pensando que este era na verdade um mendigo bêbado.

Em pouco mais de 500 anos, milhões desapareceram enquanto os “brancos” se multiplicaram, ocupando terras e alterando a “ordem natural das coisas”.

Nos continentes do planeta, as histórias de conquistas também ficaram marcadas pelas ações genocidas de conquistadores. A herança cultural de muitos povos foi perdida ao longo dos séculos.

Acredito na evolução. Acredito que o processo evolutivo, inclui o desaparecimento de forma natural daqueles que não conseguem se adaptar às novas condições que vão se apresentando.

O ser humano já foi um bicho selvagem. Foram precisos alguns milênios para ele se tornar menos selvagem.

Quando vejo notícias como a de hoje fico abatido, pois constato que ainda falta muito para voltarmos ao paraíso.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Os direitos e esquerdos*

Já faz algum tempo... desde a criação..
O mundo dividiu-se em direitos e esquerdos.
Os direitos eram maioria,
os esquerdos falavam dos direitos...
nunca se entendiam...
Porém, enquanto idéias trocavam,
outros se entediavam e escolheram o centro
aumentando a confusão..

Então um dia chegou um estranho e falou de religião..
falou de fome, miséria, escondendo ambição
criou fazenda, comunidade e resolve por fim
distribuir cimento vermelho pra população.

Direitos e esquerdos que nada entendiam,
tomados de espanto concluem...
basta de confusão!
ordem no latifúndio!
Que cimento que nada...
Um triangulo não tem 4 lados,
Viva o triângulo!

O centro agradece...

(*) levemente inspirado na obra Cimento Social de autor a confirmar

sábado, 21 de junho de 2008

Matando saudades..

Não tenho muito o que dizer. Minha mãe chegou hoje do Rio de Janeiro e estou aproveitando para matar saudades. Enquanto isso, recomendo leitura de uma entrevista publicada na edição da Folha de São Paulo deste sábado. O link é:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2106200801.htm

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O Exército na ordem do dia

Não li os detalhes sórdidos. Basta-me a idéia do ocorrido.

Soldados do Exército “entregam” à quadrilha rival 3 pessoas de outro grupo. As 3 foram torturadas e mortas. Corpos desovados num lixão.

O pior foi a declaração “O Exército não está preparado para lidar com situações civis”.

O que significa isto? Fala sério!!!

Me lembro de propagandas das Forças Armadas por conta da obrigatoriedade do Serviço Militar. “Alistar-se é exercício da cidadania”. Ora, sendo exercício é então parte de um aprendizado. O que se aprende no Serviço Militar? O que se aprende de cidadania no Serviço Militar?

Os soldados que fizeram isto serão punidos mas, o pior para mim foi a declaração. Não nego que seja necessário aprender táticas de guerra e de combate à guerrilha. O que dizer de matérias como ética e cidadania? Qual o conteúdo que vem sendo aplicado na formação de nossos valentes soldados?

O resto... bom o resto é coisa de campanha eleitoral...

terça-feira, 17 de junho de 2008

De uma amiga para o mundo...


O tempo..


Primeiro veja a animação...



Demais né?
Não precisa mesmo de palavras...

TUDO TEM SEU TEMPO...

Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito.
Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de colher o que se plantou;
Há tempo de adoecer e tempo de curar;
tempo de derrubar e tempo de edificar;
Há tempo de chorar e tempo de rir;
tempo de prantear e tempo de dançar;
Há tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las;
tempo de abraçar e tempo de abster-se de abraçar;
Há tempo de buscar e tempo de perder;
tempo de guardar e tempo de jogar fora;
Há tempo de rasgar e tempo de coser;
tempo de estar calado e tempo de falar;
Há tempo de amar e tempo de odiar;
tempo de guerra e tempo de paz.

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".

Aproveite o seu tempo!!!!!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O Hulk


O site G1, do grupo Globo, publica hoje notícia sobre pesquisa a respeito de uma possível explicação biológica para o comportamento sexual (endereço abaixo):

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL602802-5603,00.html

Ontem, fui ver o Incrível Hulk que estreou na última sexta. Hulk é a conseqüência de uma alteração genética causada por exposição a raios gama. O pacífico professor Bruce Banner quando “nervoso” se transforma numa criatura violenta, com força destruidora descomunal, capaz de resistir a armamentos variados do exército, mas que se acalma diante da presença e apelos de sua amada Dra. Elizabeth Ross.

O Hulk, símbolo da criação militar, tal qual Sansão bíblico, perde a força diante do apelo de seu amor.

Os seres vivos, nos ensinaram, são semelhantes a Deus, já que foram criados à sua imagem e semelhança.

A natureza em seus arranjos misteriosos participa desta criação que o ser humano teimosamente tenta interferir. Na ficção esta interferência criou o Hulk. Na vida real, é possível detectar alguns pequenos Hulks que os homens acabaram modificando na medida que continuaram concentrando riquezas e não combatendo a fome, a injustiça, a busca incessante pelo poder.

Se os homossexuais masculinos tem o cérebro mais parecido com o da mulher e as lésbicas com o de homens héteros, o que dizer dos cérebros dos bissexuais?
Discussão bizantina!

O que importa é que os pequenos Hulks continuam soltos e proliferando.


sexta-feira, 13 de junho de 2008

Sexta-Feira

Sexta-feira, 13. Para supersticiosos, hora de recolhimento e esperar a chegada do dia 14. Como estamos em Junho e o dia é consagrado a Santo Antônio, solteiras, descasadas, viúvas e até as bem casadas (para agradecer), dedicam preces e orações ao "casamenteiro", enquanto disputam o famoso pãozinho. Dia também do início "oficial" das Juninas, com barracas, bandeirinhas, guloseimas, quadrilhas, forrós e foguetórios. Festanças principalmente no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Brasília costuma ter muitas dessas festas. Algumas mais puxadas para o olhar caipira, outras para o forró, mas todas com muitas guloseimas para desespero de muitos fãns das academias.

Minha primeira festa junina foi traumática. Lembro como se fosse hoje. Mãe, fez uma roupa bacana. Colorida, cheia de remendos xadrez na calça comprida, uma camisa no estilo, lenço vermelho no pescoço e um chapéu de palha com bordas gastas. Secretamente, tinha me preparado para ser o padre no casamento preparado pela escola. Ia ser surpresa para a família. Participei dos ensaios e a escola forneceu a "batina" com um remendinho bem discreto na lateral.

Na hora da apresentação, o primeiro trauma. A menina que ia ser a noiva esqueceu o texto. Ficou muda. Começou a chorar e eu não consegui entender o porquê de tanta comoção. O que era para ser uma apresentação "séria" tornou-se um fiasco. Como "padre", decidi que não ia ter mais casamento e dei por encerrada a cerimônia. A professora interrompeu e disse:
- Já que o casamento não sai, vamos pra festa... Quem sabe a noiva se anima.
Como ainda me lembro do sentimento de frustração, imagino que devo ter pensado algo parecido com um "pois vão esperando... não visto mais essa roupa de padre de jeito nenhum".

A hora da quadrilha foi beleza. Tudo muito divertido. Nota 10. Fizemos todos os passos marcados nos ensaios. Minha mãe sorria de orgulho e eu também porque tinha dado tudo certo.

O segundo trauma, não foi bem isso. Tinha a tal da pescaria. Via que todos os colegas que pescavam retiravam brinquedos do mar de serragem que cobria as prendas. Na minha vez, pesquei justamente o brinde mais estranho. Um quepe de marinheiro de tamanho adulto. A impressão era de que o doador devia ter um cabeção danado, pois fiquei com a impressão de que no quepe cabiam duas cabeças iguais a minha.

Hoje, essas lembranças são um tanto hilárias. Eram tempos ingênuos de criança.

Como cantou Caetano: Tempo, tempo, tempo, teempo....


quinta-feira, 12 de junho de 2008

Tudo é possível...

Já que mencionei a “Veja”, algumas palavras.

Até antes de sair do Rio de Janeiro, há coisa de 6 anos, tinha entre meus guardados, o exemplar número 1 da revista. Eram tempos de exceção e mal fora distribuída, acabou recolhida das bancas de jornal. A causa, pela lembrança que tenho, seria a capa de cor vermelha simbolizando a bandeira comunista.

Ao longo dos anos, assim como outros órgãos de imprensa que sofriam os rigores da censura, a revista construiu imagem de seriedade e independência. O relógio correu, os militares voltaram aos quartéis e, passada a onda da nova república, começaram a surgir boatos sobre a saúde financeira do Grupo Abril.

Não faz muito tempo, poucos anos, corre a história de que a referida editora teria admitido como “sócio”, um grupo sul-africano comprometido com idéias ultraconservadoras. O socorro financeiro tinha um preço. A situação financeira do grupo editorial brasileiro e a entrada de capital estrangeiro propiciado com este acordo chegaram a ser motivo de reportagens exibidas em telejornais da Rede Bandeirantes.

Apesar dos desmentidos, o que percebo a partir do término do período de governo de Fernando Henrique é um posicionamento cada vez mais conservador da revista do qual sou assinante há anos. A foto de Barack Obama na capa do exemplar desta semana é exemplar. Nada há de anormal na imagem. Lá está o candidato vitorioso do Partido Democrata americano sorrindo, de cara limpa. Acima da foto o título de uma reportagem, indicando ser falsa a idéia de que os EUA estariam perdendo a hegemonia (o ideal republicano). Quando vi o conjunto, comecei a perceber que havia algo de diferente no sorriso do democrata. O sorriso era semelhante a algum outro. Então lembrei. Se eu colocasse uma tintura por cima da foto, eu estaria de cara com o Coringa, alucinado inimigo do Batman.

Desconheço se houve alguma alteração intencional na foto. É provável que não. É possível que a foto suscite essa semelhança per si. Que a editoria da revista tenha percebido isto e aproveitado o momento para disparar a defesa do ideal republicano.

Nada é impossível.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Óia essa...


Pergunta que não quer calar: Com qual personagem das histórias em quadrinho a foto de Barack Obama na capa da Veja desta semana se parece?

Dica: não é um personagem do Bem.

E pensar que acham que não existe partido republicano no Brasil...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Assim na terra como no céu.

No intervalo do almoço, enquanto lia o jornal de hoje percebi algo que achei interessante. Há uma seção que informa o que chamo de atividades lúdicas ou alternativas, disponiveis sob forma de cursos, palestras e serviços para a população em geral. Pois bem, dos 37 anúncios por assim dizer 36 estavam relacionados a práticas terapeuticas de influência oriental. De práticas de meditação a algo chamado de ventosaterapia.

Comentei com uma amiga. Ela me chamou de preconceituoso. Rimos.

Brasília é uma cidade de contrastes. Ao mesmo tempo que é a Sede do Governo Federal, tem um extenso número de práticas de uma forma ou de outra ligada ao terreno espiritual. Todas convivendo pacíficamente, mas cada uma batalhando por alargar um merecido espaço nos corações e mentes dessa colcha de retalhos cultural chamada Distrito Federal.

Mas... onde está o espaço destinado mais próximo da Terra? Onde estão os cursos de artesanato, de cultura nordestina, mineira, gaucha e paraense? Provavelmente aparecem outro dia no jornal.

Hoje, segunda, o jornal está mais light. O excesso de licenças médicas apresentadas por funcionários do Senado, mereceu apenas uma discreta chamada no final da página principal, sem direito a qualquer texto complementar. Serão eles gazeteiros ou andam mesmo doentes? Algum problema digestivo por excesso de pizza durante a semana?

Até o grande tema de semana passada, a máfia das funerárias, ficou relegado a um pequeno espaço na primeira página. Por outro lado, a grande foto é a de um grande passeio ciclístico pela Paz atravessando a Ponte JK ou popularmente conhecida como "ponte dos remédios" - dizem que o governo passado desviou dinheiro da saúde do DF pra poder completar a obra.

É.. o dia hoje foi light...

domingo, 8 de junho de 2008

Coisa mais linda...

Embedded Video


"Gabriel's Oboe" (Ennio Moricone)

Do filme "A Missão" com Jeremy Irons e Robert DeNiro, um dos mais tocantes temas já compostos para o cinema.
Bom início de semana!

sábado, 7 de junho de 2008

Para pensar...


Recebi de um amigo, indicação de vídeo que acho importante repassar.
O endereço do arquivo é:

http://video.google.com/videoplay?docid=-3412294239230716755

Há uma outra indicação (esta feita por outro amigo):

Video 1
http://br.youtube. com/watch? v=R4oKrj1R91g

Video 2
http://br.youtube.com/watch?v=UqEimwCupsQ&feature=related

É isso por hoje.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Nem tudo que reluz...


Nos noticiários da Internet de hoje, abriu-se espaço para a história da prisão de dois soldados do exército, um deles com o posto de sargento. A prisão ocorreu enquanto participavam de um programa de TV, enquanto concediam entrevista que versava sobre a questão do relacionamento homossexual existente entre ambos, nas fileiras do exército, há 10 anos.


Há algo de espetaculoso no fato. Uma semana após a Parada Gay de SP, onde estimou-se a participação de mais de 3 milhões de pessoas, uma revista semanal de grande circulação coloca a história de ambos como assunto de capa. Na matéria, menciona-se o fato de que um deles corria o risco de prisão por conta de ausências seguidas no quartel onde estavam destacados, a princípio por problemas de saúde. Seria na verdade um ato regimental já que ausências injustificadas são consideradas deserção do serviço, onde está prevista prisão e possível desligamento.

Tenta-se criar um maremoto em um copo d'água. Se por um lado pode-se acusar o exército de perseguir homossexuais em suas fileiras, da mesma forma é factível pensar que esta situação pode ter chegado a este extremo como parte de um plano para que se consiga os tais 15 minutos de fama, como fizeram com Ronaldo (o jogador de futebol), caso contrário, como explicar que apenas após 10 anos de relacionamento, o Exército tenha percebido o relacionamento e tenha resolvido agir?

A "confraternização" entre homens de armas tem antecedentes históricos famosos, inclusive entre antigos samurais. O que na atualidade, por pura sublimação, transformou-se em solidariedade e companheirismo de armas estimulado nos treinamentos de combate, não deixa de ser um tipo de relacionamento, ainda que inicialmente platônico. Por outro lado, quando a questão assume ares de desafio a uma ordem espartana de discrição, onde uma instituição é instada a justificar se tal fato comprometeria o "moral" da tropa, a coisa muda de figura. Seria, assim, uma questão de postura. É como se um diretor vivesse em confraternização com o pessoal da limpeza ao invés de cuidar da própria empresa que cuida do sustento de todos os empregados e familiares (e não apenas dos faxineiros).

Acho que as posturas, composturas e descomposturas tem de ser discutidas. O que não pode é a questão homossexual ser usada como boi de piranha enquanto o resto permanece na obscuridade.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Cerebral


Esta semana, acho que na Época, publicaram artigo sobre uma mulher que consegue se lembrar de tudo o que aconteceu na vida dela, nos mínimos detalhes, desde que completou 14 anos. Uma história surpreendente.

Como seria minha vida se eu tivesse essa capacidade? Não muito boa presumo. Conviver com lembranças boas até que pode ser legal, mas, o que fazer com as ruins?

Pense. Hipotéticamente, alguém que não teve uma vida muito interessante (com uma boa dose de momentos sofríveis) chega aos 50 anos se lembrando de tudo. Se essa pessoa fizer uma projeção de como ela estaria aos 70, provavelmente entraria em profunda depressão e cometeria suicídio amanhã mesmo (pelo menos não conviveria mais com este tormento).

Gosto de pensar que tenho boa memória. Que, seletivamente, consigo me lembrar de bons momentos vividos e, sempre poderei recorrer a estes para melhorar meu astral quando estiver triste. Que, seletivamente, consigo esquecer coisas menores já que as maiores deixaram suas cicatrizes e não tenho como removê-las por agora.

Ah.. como seria bom ter a capacidade de eliminar essas cicatrizes... e, com isto, me permitir a dar uma segunda chance a pessoas que já cruzaram meu caminho só para poder pensar que carecem de fundamento frases tipo "pau que nasce torto não endireita depois".

A realidade é outra. Que pena...

domingo, 1 de junho de 2008

200 anos


Na edição de hoje, o Correio Braziliense comemora 200 anos. No período de 1808 a 1822, Hipólito José da Costa começou a publicar em Londres um periódico que proclamava sua independência dos rigores da censura da corte portuguesa que mantinha a rédeas curtas as publicações que circulavam no Brasil.

Em 1960, Assis Chateaubriand volta a utilizar a marca que permanece até o presente como o principal jornal da capital federal.

Ambas versões do periódico tiveram que lidar com tempos de censura ostensiva do Estado. Na sua fundação, consta que o Correio circulava como contrabando, às escondidas, marginal. Em 1822, quando foi declarada a liberdade de imprensa por D. Pedro I, Hipólito José da Costa deu por terminada sua missão.

O Correio atual, reiniciado na fundação de Brasília, sobreviveu a períodos conturbados de nossa história recente. Passou por Janio, João Goulart, presidentes militares, Tancredo, Sarney, Collor, Fernando Henrique e Lula.

Quando cheguei a Brasília, há seis anos, o Correio tinha uma postura editorial mais independente e questionadora do que a atual. A mudança, atribuo à entrada de Senador Paulo Otávio de orientação neo-liberal nos Diários Associados do Distrito Federal. Coisas da vida...

A história da grande imprensa no nosso país, tem sido ligada ao relacionamento desta com grupos econômicos e ideológicos que buscam defender suas idéias perante a população com maior ou menor sucesso e também com algumas vertentes do poder majoritário.

No período do governo militar, o surgimento e crecimento de uma imprensa alternativa propiciou equilíbrio necessário mesmo diante das "buscas e apreensões" promovidas na fase mais reacionária do regime. Ela contribuiu e muito para o processo de redemocratização.

Não há como negar a importância da imprensa. Mesmo com o advento da Internet, a imprensa tem conseguido manter um de seus objetivos: o de promover a reflexão e o debate sobre os mais diversos temas. O que a Internet tem de imediatismo, o jornal impresso tem de detalhamento.

É prazeiroso ler o jornal na poltrona da sala junto com familiares e conversar sobre os últimos acontecimentos; no banco de uma praça ou de um parque, na areia da praia ou mesmo durante o café da manhã antes de sair para o trabalho.

Ler jornal é muito bom!