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A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (Art. 196 da Constituição Federal).
O Estado tem-se mostrado incompetente no assunto. Insípido na gestão e implantação de ações que atendam o princípio constitucional. O fracasso é justificado por alegações como insuficiência de recursos, utilização indevida dos que existem, falta de empenho político dos administradores municipais, entre outros.
Certa vez, criou-se imposto como forma de solução para chegada de recursos de saúde à população. Apenas pequena parcela deste imposto chegava à ponta carente da cadeia sob forma de serviços. Como resultado, em 2008 tivemos o recrudescimento da Dengue, o retorno triunfal da Febre Amarela à área urbana, a elevação nos índices de mortalidade infantil por infecção hospitalar, de adultos nas filas de transplantes e, por falta de assistência adequada em emergências.
No encerramento do curso de Microbiologia e Imunologia ministrado no segundo ano da minha graduação médica, há exatos 30 anos, Constante Ramos Garcia (o professor) lembrou que a sobrevivência do bicho homem dependia apenas de uma grande doença infecciosa da modernidade que, por acaso não era causada por bactérias ou vírus, mas que tinha poder destruidor muito maior. A causa podia ser descrita por 4 letras, duas vogais e duas consoantes, que juntas são capazes de mostrar o nível de desenvolvimento de uma nação. Ele falava da fome. A fome.
A fome, que devidamente cultivada, deixa a violência, a subserviência, a incapacidade de entendimento do mundo, como sementes espalhadas pelo solo desgastado de uma humanidade que parece ter esquecido como a terra deve ser cuidada, bem arada, de como as sementes são selecionadas e tratadas.
Esse ano tem eleição... alguém se importa?
Espero que sim!
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quarta-feira, 9 de julho de 2008
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