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Um dos meus pequenos prazeres é ouvir música. Não é fazer música (no sentido literal) ou tocar algum instrumento, mas apenas ouvir. Imagino que herdei isto de meus pais. Quando pequeno ficava fascinado com o som que saía de uma determinada caixa logo depois de um objeto circular preto ser colocado num aparelho. Eram sons bonitos, harmônicos e gostava de quase todos que eram produzidos por aquela caixa misteriosa. Lembro de um que eu não gostava. Era um disco de 10 polegadas de um cantor italiano de nome Luciano Tajoli com músicas italianas. Numa delas, surgiam ruídos parecidos com dois disparos de revolver. Hoje, imagino que deveria ser alguma canção de teor passional, bem ao gosto do machismo italiano da época (década de 1950).
Muito cedo me acostumei com o som de instrumentos latinos provenientes de boleros, tangos, choros, xotes, marchinhas, rumbas, cha-cha-chas. Xavier Cugat, Edmund Ross, Perez Prado, Machito, Românticos de Cuba, Fafá Lemos, Altamiro Carrilho, Pixinguinha. Eram músicas movimentadas, alegres, que ainda me deixam feliz.
Uma variedade de sons, do clássico ao popular, participou de meu dia-a-dia. Houve época que só conseguia estudar, ler ou escrever se estivesse ouvindo alguma música. Pode parecer estranho, mas até mesmo para me concentrar em alguma tarefa, a música era necessária. Cresci mantendo este hábito. Tenho muitos CDs, fitas k-7, discos de vinil, inclusive alguns que eram de meus pais que guardo e ainda ouço de vez e quando.
É ótimo perceber que nossa vida de alguma forma possui ritmos que podem ser comparados a gêneros ou músicas específicas, mesmo em seus aspectos trágicos. A música seria a manifestação de uma quarta dimensão em nossas vidas. Uma dimensão de profundidade e tradução da alma de cada um.
Inté!
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Um comentário:
É fascinante essa "coisa" que a música nos proporciona, não é mesmo?
Também tenho muito disso, adoro ler ouvindo música. Em tal livro escolho um repertório baseado na história. O engraçado mesmo é quando passa um bom tempo, ouço a música por acaso, me lembro da "cena/capítulo", até mesmo fico em dúvida, se foi lido ou assistido. Adoro isso.
Abraços.
Marcelo Marques ( companheiro de Adriano)
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