segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Morrer na praia..

.
Pois é. O moço correu e ganhou, mas não levou. Não levou o título de campeão da temporada, mas ganhou o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Por 500 metros disse o jornal. Acontecimentos assim costumam gerar pequenas lendas. Segundo um colega de trabalho, “tava tudo combinado”. Pode ser... mas terá sido por uma boa causa, afinal Hamilton como afro-descendente torna-se além do mais jovem, o primeiro representante da raça a conquistar um título mundial do circuito.

Pronto! Lá se vai mais um factóide... ;-)

De fato mesmo, a temporada de Fórmula 1 deste ano pode ser vista como a que a equipe Ferrari mais cometeu erros que acabaram por prejudicar o Felipe. Não era nem para ele ter chegado aonde chegou. Ser o segundo nessas condições é praticamente assumir o papel de herói.

Este final de semana também teve Maratona, desta vez em New York, EUA. Marílson, um brasiliense, ganhou a prova – pela segunda vez. Um feito e tanto que merece ampla comemoração. O jornal fala em grande recuperação, já que a performance do atleta na Olimpíada em Pequim fora um fiasco.

Às vezes, a derrota pode ser transformada no combustível necessário para a vitória na próxima prova. Isso acontece com certa freqüência. Histórias de superação são freqüentes no cinema. É maravilhoso pensar que o ser humano tem as ferramentas necessárias para não se deixar afogar e, os demais, no fracasso. Ainda assim, alguns se entregam. Estes vivenciam a falta de perspectiva de futuro. À ausência de afeto e finalmente, de vida.

Difícil querer saber o que determina uma atitude ou outra. É também uma questão de abandono. O sentir-se abandonado, sozinho, no meio do oceano num bote salva-vidas é praticamente uma sentença de morte em vida. O fundo do poço.

Na falta de um apoio, outros aparecem. Alguns com intenções de oferecer através do uso de drogas, o alívio da dor. Ao vínculo e dependência que se aprofunda cada vez mais, se junta o abandono de si mesmo e finalmente da vida. O caminho da escuridão que, dependendo da profundidade, não tem volta.

Então, morrer na praia é na verdade o momento chave para o repensar. À mágica da recriação, da recolocação de rumo e de reinvenção, se contrapõem os caminhos tortuosos que levam à ausência de futuro. No campo da religiosidade, seria a chance de ressurreição. Na mitologia, o renascimento da Fênix. O contraponto seria a danação de Prometeu, acorrentado a dores eternas pelo roubo do fogo dos deuses para usufruto do homem.

O bom de se reinventar é o resultado. Da reconstrução de casas derrubadas pelo vento, surgem casas reforçadas, com bases mais fortes, prontas para novas "reformas" que poderão ocorrer, afinal, falamos de vida. Entregar os pontos é o nada, o limbo.

No final, é uma questão de arbítrio.
.

Nenhum comentário: