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Dia 04 de novembro de 2008. Histórico. Barack Obama é a representação de que os EUA já não são os mesmos. Que além dos branquelos e louros, é país ocupado por representantes de todas as demais raças e culturas. Imagino o choque dos conservadores. Trata-se do maior percentual de comparecimento às urnas desde 1908. Resta saber quanto tempo vai levar para que percebam que o mundo não é apenas deles, mas que pertence a todos.
Em tom de brincadeira nosso Presidente, disse que a vitória de Obama foi tão espetacular, que dava impressão de que ele fosse corintiano... Os rubro-negros devem contestar, afinal o tipo físico do novo presidente americano está mais pra urubu flamenguista do que para gavião da fiel, mas... gosto é gosto...
Enquanto pensava nisto na volta do almoço para o trabalho, na rua, sou parado por uma moça. Apresentou-se como cantora/instrumentista e estava vendendo dois CDs gravados por ela. O acabamento das capas dos CDs era de gráfica. Cobrava R$ 20,00 (vinte reais) por cada um. Não se trata de recusar ajuda a um novo artista, mas achei o preço caro e, o tipo de proposta meio estranha. Você compraria um CD de um artista com músicas de própria autoria que você nunca ouviu falar, sem ao menos ter ouvido amostra do trabalho?
Esta situação me lembra história narrada por Carlos Scliar, artista plástico com quem tive grata oportunidade de conversar algumas vezes. Ele contava que no início, fazia trabalhos e simplesmente os dava para algumas pessoas que para ele seriam chave, que gostassem de sua obra. Essas pessoas tratavam de passar suas impressões para outras. Enfim, a famosa divulgação boca-a-boca. Obviamente os tempos eram outros. Naquele tempo, alguns conceitos e termos nem existiam. No caso da música popular, o caminho para a consagração de músicos eram programas de calouros das rádios. Havia participação do público, que votavam e torciam por seus eleitos.
No Brasil, alternativas de divulgação são restritas. É preciso ter grana! Com a quebra da hegemonia dos esquemas das grandes gravadoras por conta da pirataria dos CDs e do mp3, o caminho mais lógico seria a Internet. O comércio de músicas pela rede tem sido base de sustentação de gravadoras e artistas. Isto é ruim. O mp3 e outros sistemas de compressão não retratam com boa fidelidade o espectro do som. Alguns críticos falam isso do próprio CD. É só ouvir um CD ou um vinil pra sentir a diferença.
O fato é que a ganância das gravadoras propiciou o crescimento da pirataria. Não faz muito tempo, comprar o último CD do seu artista predileto significava o desembolso de R$ 40,00, ou seja, 10% de um salário mínimo!
Foi-se o tempo que vida de artista podia ser traduzida como uma bela valsa vienense de Strauss. Sob esse aspecto, mesmo na época dele e em outras, o que não faltou era artista morrendo à míngua que, entre o feijão e o sonho, havia escolhido o último.
Falar em sonho, o Presidente do Quênia, terra de antepassados recentes de Barack Obama, já disse que a eleição vai aumentar o fluxo turístico para aquele país. Fala sério... O Quênia tem coisa muito mais interessante pra se visitar! O Obama nasceu no Havaí, portanto, é americano e, se for igual aos demais compatriotas, é capaz de achar que o Quênia fica em algum lugar da Floresta Amazônica, ali, ao lado da Índia.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008
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