Ultimamente, quando ligo meu computador portátil abro um aplicativo de textos e fico no aguardo de alguma inspiração para começar a digitar o que surge dela, mas nada acontece. Confesso que tais ocorrências me desanimam. Por outro lado, recordo de já ter lido em algum momento que em boa parte, a inspiração vem acompanhada de muito trabalho como a elaboração de um "roteiro", escolha de palavras, ritmo e estabelecimento de uma cumplicidade do autor junto ao leitor a ser atingido. Enfim, não é tarefa fácil.
Quando mais jovem, usava a máquina de escrever de minha mãe e folha de papel. A lembrança que tenho desse processo é de que tudo acontecia com mais facilidade. Havia um porém, dificilmente os textos ultrapassavam uma página, seja um poema ou uma pequena história, como se estivesse meio ancorado aos ditames estabelecidos para elaboração de uma redação ou crônica literária. Minha primeira experiência em texto veio de uma tarefa dada por professor de português ainda nos tempos de ginásio. A única regra estabelecida era de que escrevêssemos uma história com começo, meio e fim para ser entregue na próxima aula que ocorreria no prazo de quarenta e oito horas. Passei o resto do dia e boa parte da noite tentando definir o tema a ser abordado e nada... Já na madrugada da primeira noite sonhei que estava viajando num trem de onde era possível ver um campo repleto de flores, talvez fossem girassóis visto que as cores eram fortes e "reais", mas onde haveria uma história aqui? Qual seria o tema?
Escrever, para mim, sempre esteve ligado à intuição. Acredito que isso também aconteça com a maioria das pessoas. Como um bom ginasiano, não dispunha das ferramentas e treinamento adequados para a ambição existente de elaborar um campeão de vendas, certo? Seguindo então...
A busca por uma história baseada no sonho descrito, já que não conseguira identificar nada diferente, terminou quando defini alguns pontos:
- Uma vez que eu me
via num trem, certamente eu estava indo visitar alguém;
Então, surgiu "Patrícia e as flores" em três páginas datilografadas. Chegar a esse número de páginas foi árduo. Tive de recuperar memória de uma viagem de trem que fizera quando mais jovem no interior de Minas Gerais (na região do Triângulo Mineiro); de uma visita à pequena fazenda de parentes na região onde um monjolo era usado para triturar sementes (milho, por exemplo), galinhas eram criadas para subsistência e um cão tipo perdigueiro que também era um ótimo vigilante. Enfim, o texto se perdeu no tempo, mas o professor o guardou mesmo que tenha me dado uma nota pouco acima da média por conta de erros gramaticais, que, a meu ver não faziam a menor diferença já que cumprira a tarefa estabelecida.
Bom, como minha saudosa mãe contava, "o tempo é inexorável". A vida e decisões pessoais me conduziram por caminhos estranhos e diversos que me afastaram vez por outra de minha afeição pelas palavras e mesmo teimando com a gramática, esse documento pode ser o primeiro de muitos (espero que sim).
Até mais!

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