Minha infância não foi recheada de estripulias com a garotada da vizinhança. Meu pai não queria me ver misturado à molecada, ou seja, só ia à rua para frequentar as aulas na escola ou sair com ele ou acompanhado de mãe ou ambos. A casa tinha um grande quintal na parte da frente onde brincava com minha imaginação.
Pai gostava de cinema e música. Comprava discos, aparelhos de som e até possuía um projetor de filmes 16 mm que alugava nos finais de semana (a maioria da +20th Century Fox ). Sobre isto contarei em outra oportunidade.
No quesito música porém, era tudo muito diversificado mas com um direcionamento maior para a clássicos, instrumentais e jazz. Não era uma discoteca grande. Muita coisa se perdeu no tempo (principalmente os de 78 rpm), mas tento preservar o que restou.
Com o advento da internet e consequente acesso a aplicativos diversos, comecei a transferir alguns trabalhos que pretendo colocar por aqui como forma de preservar algo da sonoridade que permeou minha infância, juventude e maturidade.
Uma das primeiras lembranças, é o solo de violino da peça de Rimsky-Korsakov, Scheherazade. A gravação, de 1956, trazia a Orquestra Sinfônica de Berlim, conduzida por Karl Rucht. A melodia, a partir de uma explicação meio que simplória recebida, me teletransportou para o imaginário das histórias de 1001 noites que via nas aventuras de Simbad de filmes da sessão da tarde na TV. Um deleite.
A gravação, sob ouvidos críticos pode não ser a melhor interpretação da peça composta por Korsakov, mas creio que ainda é possível sentir o ritmo da aventura, a cadência do romance a beleza do clima das 1001 noites.
Espero que gostem...


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